decisão errada
Mariana Kawazoe

Mariana Kawazoe

Psicóloga, Psicoterapeuta e Orientadora Profissional

Por que tomamos decisões ruins?

 

Tomamos decisões todos os dias, o dia inteiro, por mais que a gente não perceba, por exemplo, escolhemos acordar cedo ou tarde, o que vamos comer e beber no café da manhã, o que vamos almoçar e por aí vai. Essas são decisões mais simples, automáticas e que não exigem muita energia nas escolhas.

Vou para o outro polo das decisões, que são aquelas com dilemas morais, as quais gastamos mais energia porque envolvem mais esforço intelectual, pensar em várias alternativas em que os danos podem ser menores ou até não ter danos. Além disso, envolvem nossos valores morais, que interferem nas decisões.

Um exercício que os neurocientistas usam é o dilema do condutor do trem que fica sem freio e ele tem dois caminhos possíveis para escolher: um com uma família nos trilhos e o outro em que tem uma só pessoa. Os participantes da pesquisa devem escolher para qual lado ele vai. Um dos lados é mais emocional e o outro é mais racional. Acho que dá pra deduzir qual é qual.

Mas, como é o funcionamento de uma tomada de decisão?

Beem resumidamente, uma tomada de decisão envolve dois processos: racional e emocional. O racional é aquela parte cognitiva do pensamento, planejamento, crítica, avaliação etc. A parte emocional obviamente está relacionada às nossas emoções, chamadas de marcadores somáticos, e na maioria das vezes é inconsciente. A área da memória emocional também é ativada nesses processos.

Portanto, todo processo de decisão tem influência das emoções e é por esse motivo que as máquinas não podem tomar decisões em situações que envolvem um dilema moral, por exemplo, pois elas agem conforme uma programação.

Didaticamente, como funciona então? Você tem uma situação, aciona sua memória emocional e, a partir de experiências anteriores e pensamentos sobre o futuro, você reflete e toma uma decisão.

Mas, por que muitas vezes tomamos decisões ruins, já que acionamos experiências anteriores e pensamos sobre o futuro?

Penso em dois tipos de situações: uma em que temos alguma experiência anterior e outra em que não temos.

Na primeira, o que acontece que não escutamos a experiência? Provavelmente por conta de algum aspecto inconsciente que precisamos investigar ou por alguma emoção mais forte, como o medo irracional que acaba nos bloqueando ou fazendo com que tenhamos ações irracionais e nos sabotando.

Na segunda, que vejo que é o caso da pandemia, apesar de sabermos da história de situações anteriores e meio que já sabermos o que funcionou ou não na época (estou pensando na Gripe Espanhola), como não vivemos isso na pele, acabamos tomando decisões ruins, como por exemplo, fingir que a pandemia não existe ou achar que não vamos pegar ou achar que só pega em situações de aglomeração ou achar que não pegamos de pessoas conhecidas e por aí vai. Esse é o tipo de situação que acho que deveríamos escolher pela razão e não pela emoção.

Estes últimos são os que nos levam a tomarmos decisões ruins. Além do que, muita gente toma decisões pensando apenas em si mesmas e esquecendo dos outros, são os que chamamos de egoístas.

Não sei se consegui explicar o porquê de tomarmos decisões ruins, mas espero que fique alguma reflexão a respeito do tema!

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