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Mariana Kawazoe

Mariana Kawazoe

Psicóloga, Psicoterapeuta e Orientadora Profissional

PRECISAMOS VIVER MAIS UBUNTU

Eu não conhecia o Ubuntu. A primeira vez que entrei em contato com ele foi no curso de Neurociências e Comportamento que estou fazendo. O contexto era o fato de o nosso cérebro ser social e da necessidade de vivermos em grupo.

E essa questão do “viver em grupo” tem sido um tema muito forte pra mim nesses tempos de pandemia, no qual eu não tenho visto a coletividade em muita gente, mas, sim, o individualismo, muitas vezes disfarçado por justificativas que aparentemente são para o “bem comum”, como por exemplo: “É necessário para a saúde mental!”, “Temos necessidade das relações.”, “Vou visitar meus pais porque eles precisam de companhia.”, “A família vem em primeiro lugar!” Será que isso é para o social ou isso é uma necessidade individual disfarçada de coletiva? Num outro contexto, faria muito sentido, mas num contexto de pandemia, será que os valores devem ser os mesmos de antes? Fica a reflexão, mas enfim, seguimos com o Ubuntu.

UBUNTU é uma palavra africana que significa “humanidade para com as outras pessoas”. É uma filosofia de vida que se refere a uma sociedade sustentada pelo respeito e pela solidariedade, pela necessidade de união, pelo consenso nas tomadas de decisão e nas ações que envolvem ética. É uma regra de conduta ou ética social.

Muitas pessoas conheceram a filosofia Ubuntu através do arcebispo africano Desmond Tutu, que se inspirou nesta para proteger vítimas após o fim do apartheid, em um trabalho de reconciliação com ex-algozes (ou opressores) para estabelecer um processo de reconexão de humanidade entre eles. No caso, essa reconciliação liberta não só o oprimido, como também o opressor, dando oportunidades para as duas partes.

Outro lugar onde você vai ver a influência dessa filosofia é no documentário do Netflix, “The Playbook: Estratégias para Vencer”. No primeiro episódio, o técnico do Boston Celtics, time de basquete da NBA, Doc Rivers, fala da inspiração no Ubuntu para transformar o time de basquete em uma equipe.

Segundo Yudi Yozo, psicólogo psicodramatista, uma equipe envolve pessoas que trabalham juntas com propósitos e objetivos comuns. “Uma boa equipe é aquela que sabe aprender com os erros, com o fracasso.” (Fala extraída do Laboratório de Jogos On-Line do dia 19/12/2020.)

No caso, o Boston Celtics tinha 3 grandes estrelas no time e o trabalho de Doc Rivers era fazer com que eles trabalhassem em equipe e não 3 ótimos jogadores atuando isolados dentro do grupo. O técnico levou o conceito para o time e super funcionou. (Veja o episódio! Vale a pena!)

Além disso, já dizia J. L. Moreno, criador do Psicodrama, que nós só sobreviveremos em grupo, pois somos seres em relação! Para isso, uma das qualidades que precisamos desenvolver é o que popularmente chamamos de empatia, ou seja, nos colocar no lugar do outro e sentir o que ele sente.

Outra qualidade importante é a resiliência, que é a capacidade para “aguentar” situações de pressão muito forte, como estamos vivendo na pandemia. Isso depende de repertório comportamental para lidar com as emoções.

Nos termos da Neurociência, eu diria que a gente também precisa desenvolver mais o nosso córtex pré-frontal, ou seja, nosso julgamento, crítica, planejamento, controle das emoções etc. Mas isso fica para um outro capítulo!

Enfim, espero que consigamos ser mais UBUNTU!

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