2021-01-20 (5)
Mariana Kawazoe

Mariana Kawazoe

Psicóloga, Psicoterapeuta e Orientadora Profissional

VOCÊ É CRIATIVO?

Quando procuramos o significado da palavra “criativo” ou “criatividade”, encontramos referências à inovação ou fazer algo original.

Durante muito tempo associei “criatividade” a coisas relacionadas à arte ou algo assim e sempre achei que não era criativa, apesar de ter algumas habilidades artísticas, como dança, música, artesanatos etc. mas, sempre reproduzi, nunca “criei”. Se bem que, nos meus tempos de adolescente, eu criei, junto com duas amigas, uma coreografia de aeróbica para o colégio e ganhamos a competição. Acho que pegamos o segundo lugar. Isso eu já não me lembro.

Foi só aparecer uma lembrança que começaram a surgir outras. Lembro-me que, ainda no antigo colegial (atual ensino médio), mas em outro colégio, eu e acho que duas amigas criamos um programa de rádio para a aula de Comunicação que tínhamos na nossa modalidade de humanas. Também ficou ótimo.

Mas, mesmo lembrando disso, minha lembrança mais forte é a de não me achar uma pessoa criativa… até conhecer o Psicodrama já na minha época de faculdade, isso significa final dos anos 90.

Para o Psicodrama, todos somos seres criativos e temos deuses criadores dentro da gente. “Criatividade” está sempre ligada ao fenômeno da “espontaneidade” e, como “espontaneidade-criatividade” significa simplificadamente “dar respostas novas de maneira adequada a antigas ou novas situações”.

Esse conceito veio do teatro de improviso ou do antiteatro convencional, o que nos leva à arte mais uma vez, porém, o conceito ou a qualidade se descola do teatro e se estende aos nossos comportamentos ou formas de lidar com as situações da vida, inclusive nas nossas relações e nos papéis sociais que desenvolvemos ao longo da vida, por exemplo: papel de mãe em relação a um filho (mãe-filho), papel de psicoterapeuta em relação a pacientes (psicoterapeuta-pacientes) etc.

Essa espontaneidade-criatividade não é necessariamente algo super novo, mas depende de repertórios que carregamos e adquirimos ao longo da nossa vida, a partir das nossas experiências.

Segundo, Moreno, criador do Psicodrama, todos nós nascemos espontâneos, mas vamos perdendo ao longo da vida. Porém, é algo treinável tanto por meio de psicoterapia ou qualquer atividade que requeira sairmos da nossa zona de conforto e buscarmos recursos para lidar.

Essa pandemia, assim como qualquer situação de crise, exigiu muita espontaneidade-criatividade de cada um, mas mecanismos como nos defender para sobreviver, fez com que muitas pessoas não conseguissem lidar de forma “espontâneo-criativa”, tentando continuar suas vidas “normais” dentro do que erroneamente começaram a chamar de “novo normal”, inclusive, vemos referências ao uso da máscara como sendo uma adaptação ao tal do “novo normal”.

Mas, será que isso é adequado? Será que isso não é muito limitado? Será que esse tipo de crise que estamos vivendo não exige muito mais do que somente usar máscara, passar álcool gel e manter distanciamento social? Será que não deveríamos sair da superficialidade e ir mais fundo nas nossas mudanças, como pensar no coletivo?

Se isso fosse um “teste de espontaneidade”, eu diria que o vírus, que está mutando com muita rapidez, está sendo aquele tipo de situação que vamos aumentando o grau de dificuldade durante uma vivência para desenvolvimento de “espontaneidade-criatividade”.

Você acha que você está lidando de uma forma “espontâneo-criativa” nessa pandemia? Lembre-se, dentro desse conceito o comportamento exige adequação!

Ah, a foto do post se refere a uma passagem da animação “Vida de inseto”, na qual as formigas estão em fila levando seus alimentos para o formigueiro e uma folha cai no meio da fila. As formigas ficam desorientadas, pois algo saiu do planejamento e do controle delas. A equipe de gerenciamento é mobilizada e elas conseguem criar um novo caminho para seguir com o seu trabalho. Eu acho uma ótima analogia para situações adversas e que estão fora do nosso controle!

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